EULIVROSPOEMASTEXTOSFOTOSVIDEOSBUSCACONTATOELES
 
Lançamento dia 16 de abril de 2015

Livraria da Travessa, Ipanema
Rua Visconde de Pirajá, 572
telefone (21) 3205-9002.


"Há mortos no chão da praça./ Centenas. Quem os recolhe?" Esses versos figuram entre muitos outros que fazem da morte o principal tema de Escuta. Suicídios, assassinatos, guerras surgem por vezes em cenas que parecem saídas de noticiários, mas cujo realismo não rotineiro estaria mais próximo da livre imaginação. É também significativo que uma das seções do livro tenha por título "Memórias póstumas", dedicada "à memória de todos os amantes/ mortos em combate". Agrupam-se ali textos que condensam os estados afetivos mais extremos: "Agora, é preciso que me mates. Eu te disse/ uma vez: quero que me mates. E peço mais,/ que sobre o defunto dances sonhes cantes/ rias para que sobre o chão não paire nada menos que a tua alegria".
Para equilibrar tal quadro – ou para investir num flagrante desequilíbrio que o complementa -, uma das partes do livro chama-se "Alegria". O leitor vê-se então arrastado por um feixe intenso de cores, vibrações e desejos. Há ternura e lirismo, mas também ironia e humor - "Porque a mulher disse ao homem/ vá ver se eu estou na esquina// ele foi.// E lá estava ela. Na esquina./ Só que mais leve mais doce mais bonita.// Dali mesmo foram juntos/ comprar cigarros para sempre".

Decididamente urbanos, os poemas percorrem uma vasta geografia, que tanto pode remeter ao extermínio e ao aniquilamento - Ruanda, Congo ou Líbano - quanto se voltar para um Brasil distante das capitais - Cruzeiro do Oeste, Nova Friburgo, Campos Altos, Leopoldina ou Dores do Turvo.
Neste Iivro, tomamos parte numa penetrante escuta do mundo Alargando os limites da expressão Iírica, Eucanaã Ferraz lançou-se ao encontro de experiências, cenas, fatos, personagens, palavras, e em tudo reconhecemos tempos e espaços contemporâneos arquitetados por uma voz singular. Assim, conjugam-se violência e delicadeza, veemência e construção; silêncio e tumulto, subjetividade e emoção social.

Com Escuta, o poeta mais uma vez avança em sua escrita e confere vigor a toda a poesia brasileira. doce mais bonita.// Dali mesmo foram juntos/ comprar cigarros para sempre".

Decididamente urbanos, os poemas percorrem uma vasta geografia, que tanto pode remeter ao extermínio e ao aniquilamento - Ruanda, Congo ou Líbano - quanto se voltar para um Brasil distante das capitais - Cruzeiro do Oeste, Nova Friburgo, Campos Altos, Leopoldina ou Dores do Turvo.

Neste Iivro, tomamos parte numa penetrante escuta do mundo Alargando os limites da expressão Iírica, Eucanaã Ferraz lançou-se ao encontro de experiências, cenas, fatos, personagens, palavras, e em tudo reconhecemos tempos e espaços contemporâneos arquitetados por uma voz singular. Assim, conjugam-se violência e delicadeza, veemência e construção; silêncio e tumulto, subjetividade e emoção social.

Com Escuta, o poeta mais uma vez avança em sua escrita e confere vigor a toda a poesia brasileira.

 
  Refazenda fez | Fotos: Daniel Mordzinski